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Hoje em dia as pessoas possuem um maior critério para escolher um smartphone do que para eleger um político. Vêem os comentários online de tablets mas não de políticos. Comparam as características mas não os PEC e DEO. Avaliam e discutem funcionalidades, mas não ideologias. Por isso é fácil concluir que para nós é mais importante o telemóvel que temos no bolso do quem nos tira os tostões dele.

Este país será salvo no dia em que encomendarmos um político pela Amazon. Poderia até chegar num daqueles novos drones e entregue à porta da Assembleia da República, para espanto e aplauso de todos os portugueses. Antes de o adquirir já teríamos lido e relido tudo o que há disponível online sobre ele. Compararíamos diversas opções até encontrar o melhor modelo de político em termos de qualidade/preço. Seguramente alguém que se apresentasse com ideologia certeira e uma boa resistência à corrupção. Sem esquecer, obviamente, a deveras útil funcionalidade do anti-saco-azul.

Ultimamente têm sido constantes as notícias sobre Lisboa e Porto estarem entre as melhores cidades europeias para se visitar. Somos um povo simpático que sabe receber, mas não é possível que sejamos mais exigentes com um hotel do que com o seu redor. Sim senhor, as camas estão bem feitas, o pequeno-almoço está incluído, mas parece que nas ruas há pessoas ao abandono.

Temos óptima classificação no TripAdviser, pergunto-me qual seria a pontuação no PoliticianAdviser? Se nos hotéis quem avalia são os hóspedes, nos países deveriam ser os seus habitantes, mas parece que vivemos no tipo de democracia onde a opinião que prevalece são as de empresas privadas com interesses no mercado. Segundo elas somos lixo e quem sou eu para contestar, o governo vigente também nunca me cheirou bem.

Quando vejo amigos meus no facebook a pedir conselhos sobre qual o melhor smartphone a adquirir, penso porque não fazemos o mesmo com políticos?

Está claro que prestamos muita atenção na escolha de um smarphone porque queremos certificar-nos de que as nossas selfies terão qualidade, de modo a nos apresentarmos no facebook como um homo sapiens de elevada estirpe. Aí reside o problema, não temos a mesma atenção ao detalhe nos políticos, sendo um pouco indiferente qual deles está no poder, porque não nos sentimos representados.

Numa altura em que até o Primeiro-Ministro e Presidente da República têm páginas do facebook, deveríamos olhar para os políticos como as selfies do país. Sendo que em qualquer selfie é necessário um certo cuidado com a luz, contraste, etc. Com os políticos esse cuidado tem de ser redobrado, especialmente em termos de cinismo, filha da putice, etc. Afinal de contas trata-se da selfie do nosso país, a nossa imagem dentro e fora dele, e sinceramente, não me sinto bem representado com o focinho deste governo. Quero outra selfie!

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