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Moscas_amor

http://www.youtube.com/watch?v=vBWCphAu8ik

Estavam duas moscas a fazer o amor na mesa da minha cozinha, por entre migalhas de pão, indiferentes à minha presença. Quem me dera também eu ser indiferente à presença delas, mas estavam a fazê-lo sem protecção. As porcas, vagabundas a reproduzirem-se na minha cozinha, futuramente iriam ter bebés e eu ali, a presenciar aquele momento.

Não é com leviandade que o digo, não estava a gostar. Sentia-as excitadas mas eu não estava, havia pouco romance na sua relação, já ali estavam há mais de 10 minutos e ainda não tinham mudado de posição. Fazer o amor é bonito e saudável, mas não se deve ser preguiçoso nesta arte milenar, e as vadias nem preliminares tiveram a decência de fazer. Em boa verdade, não se pode dizer que houvesse amor, aquilo era sexo puro e á bruta de quem nem sequer sabe o nome da mosca companheira.

As moscas penetravam-se sobre uma toalha de quadrados vermelhos que a minha avó me ofereceu, soubesse ela que iria servir de cama para o clímax de insectos dípteros, pensaria duas vezes.

Vamos a factos. Encontra-se uma torradeira no canto da mesa, mas não a uso há imenso tempo, já a olho como objecto de decoração. Pousam 2 moscas no centro da mesa a fazer o amor, mas há demasiado tempo que não o faço, já o vislumbro com atenção. Tenho um pé ligeiramente mais frio que outro, mas nenhum deles está a usar meias. Nem na temperatura do meu corpo consigo ser uma pessoa equilibrada.

Fixo com atenção as duas moscas, sinto que me pertencem, porém se as visse na rua não as conseguiria distinguir. Há quem diga o mesmo dos orientais, mas elas são muito diferentes dos orientais. Talvez a única semelhança resida no facto de serem ambos difíceis de distinguir para idiotas ocidentais.

A sua indiferença perturbava-me, eu que as olhava de soslaio com enorme receio de me sentir pervertido, juro que em nenhum momento coloquei a hipótese de me envolver no acto. Uma das moscas reparou que a olhava algum tempo, mas nem sequer corou, a porca. Abria as pernas, ou patinhas ou o que lhe queiram chamar e permanecia indiferente à minha presença. No fundo, como todas as minhas ex-namoradas.

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