Home

prostitutas

Fazer 100 metros em 9,58 segundos é difícil mas Usain Bolt já o fez. 1 Minuto 51 segundos e 51 milésimos para fazer 200 metros mariposa é árduo, mas Michael Phelps já provou que não é impossível. Agora estar em pleno Bairro Alto, rua da Atalia num Sábado à noite e esperar que ninguém me entorne cerveja para cima é impossível! E impensável! Que o digam as minhas 5 camisolas, 3 calças e 2 casacos… É certo que as gotas de cevada falam entre si e estranham o ambiente de odor sensual masculino onde se encontram.

O problema, como é óbvio, não é a roupa mas sim a cerveja que depois de atingir o linho ou algodão é bastante difícil de sorver. E sou constantemente apanhado a fazer figuras ridículas com cotão nos dentes.

«O Cais do Sodré está cheio de putas!»

A noite precipitava-se igual a tantas outras com a excitação da cerveja a misturar-se perigosamente com a angústia de não ser aquele tipo que acaba de passar de casaco de cabedal com 3 belas e roliças meninas, com quem se advinha uma futura e próspera noite de sexo. Ou de não ser aqueles 2 casais sentados na mesa do bar que partilham em visível entusiasmo as histórias que acabaram de viver na América latina, ou de não ser o cão que faz de casa de banho o local onde os humanos se tentam divertir. Isto, apenas isto, ao início da noite onde a cada gole o meu pessoano desabrocha.

Quando de repente se ouve em gritos ofegantes, «O Cais do Sodré está cheio de putas!» Imediatamente eu e os meus amigos olhamos em perplexo uns para o outros e desatamos a correr em direcção ao Cais, a notícia espalha-se e por todo o lado se ouve «O Cais do Sodré está cheio de putas! Ó meu deus, o Cais do Sodré está cheio de putas!». Corremos o mais depressa que podemos, passamos pelo canto de Erasmus, onde se escuta nos mais diversos idiomas «Oh my God! Cais do Sodré is full of bitches! Madre mia! Cais do Sodré esta lleno de putas! Putain! Le Cais de Sodré est plein de putes!»

A correria passa pela rua Gay e toda a gente começa a correr de marcha atrás e a discutir politica enquanto escrevem textos com alarvidades estereotipas. Toda a gente agora se precipita para o cais, como uma avalanche de pessoas a descer o bairro alto. Alguns embatem contra os traficantes das esquinas e toda a coca se espalha pela multidão, disseminando o êxtase também. Chegamos à praça do Camões e damos conta que a notícia já se tinha difundido.

O cenário é de caos, um táxi acidentado contra a estátua do Camões e gente aos gritos, apenas a estátua de Fernando Pessoa permanecia imóvel, mas tenho a certeza que até Ricardo Reis tinha ido ver o que se passava. Mas a correria era tanta não posso confirmar, se calhar já era ilusão da branca.

Descíamos a rua do Alecrim, ainda não tinha visto nada mas já cheirava a vadiagem. Os taxistas perguntavam se não queríamos boleia para  ver as putas ao cais, ignorando a fila interminável de carros que ali se encontrava, as pessoas corriam pela rua o mais depressa que podiam, alguns caiam outros passavam-lhes por cima. Havia quem gritasse «Eu quero ver as putas virgens! Eu quero ver as putas virgens!» Outros berravam, «eu quero ver a puta de 3 mamas! Eu quero ver a puta de 3 mamas!» Saltamos por cima de carros embatemos uns contra os outros e finalmente chegamos ao Cais do Sodré.

«Vai um folhado misto?»

Pensava que eram apenas messalinas, mas afinal são mesmo putas. Sinto-me nojento, como pude vir eu a correr acéfalo para vir isto, mais uma vez deixei-me levar pela influência dos demais. Nunca tive grande puder de decisão, a minha força de vontade é volúvel, até uma simples ida à pastelaria me causa enxaquecas. São bolas de Berlim, mil folhas, croissants, pastéis de nata, pirâmides de chocolate, bolos de arroz, cupcakes… Como posso eu decidir? Acabo invariavelmente por aceitar a primeira sugestão que o empregado me propõe, «vai um folhado misto, estão muito bons acabadinhos de fazer» Só espero que nunca me proponha sodomia. Já nem eu sei se o conseguiria recusar. Tal como não pensei duas vezes na correria desenfreada que provocou o caos na cidade para ver as putas. Sorte dos libertinos. Seja qual for o seu destino, já salivam com pensamentos futuros de auto-prazer.

«Já não sei o que fazer»

Já não sei o que fazer, não sei, não sei, epá já não sei… Não é que algum dia soubesse e por agora deixa-se de o saber, não, não é isso. Na verdade, não faço ideia se algum dia já o soube e de um momento para o outro o deixei de saber. Não sei. A incerteza corre-me nas veias e desconhecimento é o meu primeiro nome. Mas a verdade é que já não sei o que fazer, a beleza anda à minha volta e isso dá com qualquer um em doido, epá dá. A tentação é constante, a provocação é diária e a loucura espalha-se por todos os poros do meu corpo, não me contenho, não me controlo, vaguei-o por mares de beleza que me consomem até ensandecer, até me tirarem a sensatez de uma pessoa normal e para cada lado que me viro só me apetece foder com tudo o que anda. São pernas compridas em calções curtos, pernas compridas em calções curtos, calções curtos em pernas compridas, a andar, a vaguear à minha volta e eu já não sei o que fazer. Já não sei o que fazer. Quero foder porra! Mas elas não querem! Como pode um homem sobreviver a esta tentação? Como pode um homem não pensar em sexo 24h por dia. Quero-te comer porra! Vem para os meus braços, deixa-me consumir-te até à exaustão! Vem e não me digas que não.

«Casos fortuitos»

Sempre me considerei hedonista e mais uma vez saí à rua em busca de casos fortuitos. Ali estava ela, olhava-me com um ar tão lascivo, parecia que a cona já se babava até aos joelhos. A devassa procurava prazer e encontrou-o em mim. Eu que todas as noites me sentia patético, mas não hoje. Vim para lhe dar o que ela mais ansiava.

Desbravava caminho entre as suas pernas e penetrava-a com violência. É incrível, como é que este corpo que nasceu à 24 anos consegue provocar tamanho prazer noutro ser humano? Ela ainda nem atingiu o orgasmo e já me sinto Deus.

«Todos virgens»

Saí com os amigos do costume. Todos virgens. Gosto de sair com eles, sou intragável à vista mas fico bonito por comparação.

«O engodo já estava lançado»

Nada nem ninguém sabia muito bem de onde tinham vindo as putas, mas o cais do Sodré estava repleto delas, havia quem avançasse com a teoria de um Circo Chen pornográfico que houvera passado pelas redondezas. Eram ruivas, loiras, altas, morenas e anãs. Eram tantas a putas que o conhecido bar «Pensão Amor» tinha mudado o nome para «Pensão Amor e Sífilis».

Algo me parecia muito estranho, mas o engodo já estava lançado. À parte das putas e das almas dissolutas, uma vagina gigante sugava todos os homens em seu redor. O que era, ninguém sabe, mas quem lá entrava nunca mais saía, pelo mesmo da mesma forma. Homens que perderam o brilho, a luz da vida, a dignidade. Aquela vagina transformava homens em escumalha, e escumalha em escumalha da pior espécie.

Anúncios

2 thoughts on “«O Cais do Sodré está cheio de putas!»

  1. Muito bom! Pelas roupas que aparecem na foto parece que são “piriguetes”. Você sabe que só 3 seres vivos não sentem frio: urso polar, pinguim e piriguete…

Comentar

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s