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MIGUEL-GONCALVES03

A pergunta que faz desempregados não saírem de casa. O estigma de estar desempregado é enorme, sair à rua desempregado é sair à rua nu, pintado de cor-de-rosa e a carregar sobre as costas a vergonha do mundo.

No entanto, felizmente, os nossos governantes têm aliviado esse fardo pesado e não poupam esforços em lembrar constantemente que «o desemprego é uma oportunidade» que não vale pena queixarmos-nos porque estamos a ser «piegas» e sabemos muito bem que «se não temos emprego cá podemos sempre emigrar». Que mais querem? Temos a sorte de ser liderados por pessoas que vêem das escolas da JSD! Essa massa de intelectuais que produz homens robustos e com ideias para a vida! Para além de contarmos com comunicadores natos que alertam os nossos jovens para o facto de «se não conseguirem arranjar 100 euros por mês a vender pipocas vão ter muitos problemas na vida». Enfim a população portuguesa é preguiçosa e não quer trabalhar, porque se quisesse bastava ouvir os muitos e valiosos conselhos de pessoas que usam um relógio de cada cor.

Mas, vou directo ao que me trouxe cá. Pior que o elevado número de desemprego e que as pessoas que tentam passar a ideia que isso é da nossa exclusiva responsabilidade é a mariquice que é preciso para arranjar emprego.

Falo obviamente da construção de emails de emprego. A tortura começa logo ao início. Devo começar por: «excelentíssimo senhor», «Ao cuidado da empresa XX» ou um simples «Bom dia, quero emprego já carago!» é suficiente?

São questões para as quais os desempregados procuram respostas, porque afinal de contas ainda não estão a usufruir de salário e já perderam meio-dia a elaborar a saudação do email.

Posteriormente vem a introdução e corpo da mensagem, o espaço gabarolas onde falas modestamente de como és bom e o ideal para a empresa. No fundo é o mesmo sistema que usamos para levar uma mulher para a cama, não falamos directamente das nossas qualidades mas demonstramos através de experiência. Num relacionamento demonstramos que já fomos hábeis com outras mulheres e no emprego com outras empresas. No fundo tentar ter um bom emprego sem experiência é como tentar levar para a cama uma mulher vivida com um currículo virgem. Vais acabar por fazer figura de idiota e nem a mulher nem a empresa ficarão plenamente satisfeitas.

Não quero com isto fazer um discurso apologista das empresas que colocam anúncios de emprego onde exigem anos de experiência para um estágio curricular. Nessa altura pergunto sempre ao empregador 2 coisas, primeiro: a experiência no desemprego é válida? Se não, importasse de virar de costas para eu lhe dar um pontapé na peida? Alguns não se importam.

Hoje em dia, em Portugal, uma oferta de trabalho conter como requisito essencial a experiência de trabalho é quase irrisório. A maior parte não tem experiência alguma e os que têm é apenas experiência em emprego e não em trabalho. Lá está, vêem da JSD.

Mas voltando à elaboração do email de emprego, que já estou a divagar, é muito importante escrever com a mais elevada educação e simpatia não vá um dos 100 mails que enviamos diariamente ser mesmo lido.

Ok, tudo bem, ser simpático, mas por favor, deixem-se de mariquices! Está bem? Na despedida dizer adeus é de homem, dizer «com os melhores cumprimentos» não sei o que é isso. No máximo é com os cumprimentos necessários para arranjar a merda do trabalho! Eu sei lá o que são os melhores cumprimentos! Não ando na rua e dizer, olhe os melhores cumprimentos para si e para a sua mulher! Não digo esta merda. Que é isto? Digo bom dia e está bom, mas podia estar melhor porque esta humidade constipa!

Com os melhores cumprimentos? Quais melhores cumprimentos? Com os cumprimentos razoáveis é o que eu te dou! E isso se me chegares a responder ao email! Caso contrário mando-te passear!

«Saudações cordiais»; «Com os mais cordiais cumprimentos» O quê? Cordial é a tua avó pá!

«É com muito gosto que vos escrevo» (sem dúvida); «estou muito interessando» (panilas)

Haveria muito mais a dizer, mas por fim, quero apenas salientar as pessoas que terminam o email a agradecer, o que por mim tudo bem, só acho que o «obrigado» ou o «muito obrigado» é limitativo, deveria haver uma maior escala de agradecimento. Talvez desde o «obrigadito», passado por «regular obrigado, muito obrigado, enorme obrigado e por fim, obrigado grande pra cara***!»

Ah e o obrigado à Miguel Gonçalves, que é o tipo de agradecimento que se faz a bater punho. Com dois relógios diferentes para ver a que horas é que estamos a empreender, no fuso horário de Portugal e de Macau, Só porque sim.

E é tudo. Quem leu até ao fim merece um obrigado grande pra cara… isso.

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