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Empregar trabalhadores pela sua capacidade de trabalho é um escândalo! Escrutinar futuros empregados pela sua proficiência é uma vergonha! O mercado de trabalho está saturado e o pior de tudo é o processo de selecção dos trabalhadores. Imagine-se que estamos a tentar seleccionar trabalhadores pela sua competência, polivalência e iniciativa, um método demasiado simplista e redundante que está claramente falido.

É necessário criar novas maneiras de avaliar os trabalhadores, não rejeitem já esta ideia, mas creio que teríamos um mercado de trabalho bem mais eficiente se – e vejam só isto – avalia-se-mos os trabalhadores pelo seu gosto musical. Não é genial? Se conseguíssemos arranjar uma maneira de despedir ou não contratar trabalhadores com péssimo gosto musical o nosso país seria muito mais agradável. Discriminação? Não creio. Pensem-no como um upgrade de cultura, um isentivo a um gosto mais ecléctico.

Como é que o faríamos? Em primeiro lugar haveria um levantamento de todos os trabalhadores que ouvem David Carreira e imediatamente procederíamos ao seu despedimento por justa causa! Sem direito a absolutamente nada! Logo para a rua! Com a roupa que trazem no corpo. E como este tipo de pessoas não conseguem estar muito tempo afastadam da obra destes «cantores» ainda os fazíamos pagar pelo excessivo uso de papel higiénico do escritório da empresa.

São mulheres que normalmente estão sempre em licença de parto, por andarem constantemente com cartazes a pedir quer lhes façam filhos, logo aí já se vê o prejuízo que da empresa. São homens com sexualidade duvidosa, normalmente não sabem se gostam de mulheres ou homens e num escritório onde todo lhes parece sexualmente apetecível a sua rentabilidade de trabalho desce para níveis inadmissíveis.

Posteriormente, começaríamos a recrutar trabalhadores com excelente nível musical, através de uma completa vistoria ao histórico do facebook e lastfm, passando por buscas nas habitações, mp3 e discos rígidos, bem como cd’s nos automóveis. Após essa cuidadosa selecção, as pessoas com o mínimo de gosto musical, obteriam a licença para trabalhar 00351. Tal como James Bond agente 007 tem licença para matar, os portugueses 00 351 teriam licença para trabalhar. Apetrechados até aos dentes de licenciaturas e bom gosto, nenhum emprego pretendido lhes poderia escapar. Seria uma licença indispensável e com maior importância que o corriqueiro CV modelo europeu.

Os empregadores deveriam virar-se para os candidatos e dizer: «sim senhor, vejo que tem uma licenciatura em direito tirada na UC, um mestrado em Oxford e doutoramento no MIT. Possui todas as qualificações necessárias para ser caixa do Pingo Doce, porém noto que tem um péssimo gosto musical. Ponha-se a andar daqui pra fora!»

«Anjos? Por amor de Deus, mau por mau que fosse a Popota. Desapareça-me da frente e vá ouvir música. Comece por um CD dos Beatles e pode ser que um dia voltemos a conversar.»

De facto, há pessoas inteligentíssimas, com excelentes carreiras académicas, mas depois são as mesmas pessoas que deliram com o Festival Eurovisão da Canção. Enfim, não se pode ter tudo e o bom gosto não calha a todos. O mesmo se passa com a raparigas de hoje em dia. Vemos uma que nos parece interessante… e depois descobrimos que é fã dos Coldplay.

Mas afinal o que é um bom gosto musical? E quem é que decide que é bom ou mau? Não faço ideia. Mas pelo sim pelo não apreciadores de reggaeton mandava para o centro de emprego. Desculpem lá. Mas a situação vigente está tão fácil como encontrar emprego num palheiro.

Não só a música deveria ser requisito. Imaginemos a seguinte entrevista de trabalho.

Empregador: Muito bem o senhor é formado em Engenharia mecânica com mestrado e doutoramento. Mas reparei que conduz um Seat Ibiza de 95 com vidros fumados, aileron, suspensão rebaixada, 3 subwoofers, 4 saídas de escape e um CD pendurado no retrovisor. Não queremos cá disto!

Candidato: Mas olhe que Tuning não é crime!

Empregador: Pois não, infelizmente ainda ninguém foi preso por ser foleiro… Ai! A justiça neste país…

Candidato: Pelo menos tenho um carro!

Empregador: Preferia que viesse a pé.

Candidato: Mas este trabalho implica deslocar-me por todo o distrito de Leiria.

Empregador: Ainda assim.  Possui a licença 00 351?

Candidato: Não.

Empregador: Vá-se embora homem.

E era isto. Como nota de rodapé gostaria de dizer apenas que este ano na semana académica de Abrantes a grande atracção “musical” foi o David Carreira. E se há universitários que gostam deste tipo de “música” eu já não acho tão mau o nível de desemprego.

 

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