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Uma das coisas que mais me irrita são aquelas pessoas que falam connosco e parece que têm soluções para todos os problemas do mundo. Para tudo. Para a fome, para a guerra, para a economia e para a Lady Bety. São mestres em todas a áreas, para além de serem ao mesmo tempo profetas.

E dizem, juram a pés juntos, falam assertivamente enquanto te olham nos olhos, com a força de uma verdade que julgam ter. «Vais ver, daqui a 5 anos é isso que vai acontecer!» A segurança que estas pessoas têm para falar dos mais variados temas faz roer de inveja Francisco Moita Flores. A verdade é que todos nós temos amigos ou conhecidos assim. Mas o que é que podemos fazer com eles? Aguentar o sermão, ou dar-lhe um pêro na boca antes mesmo de começarem a profecia?

São os novos profetas munidos pelo poder da Wikipédia. Os novos Emilianos Zapatas com a máscara dos Anónimos. Devo dizer que a máscara me agrada, até porque a maioria não primazia pela beleza, são seres pálidos que fazem a revolução nos comentários dos jornais online, nos blogs e twiters (talvez como eu o faço agora, o karma é tramado). Então o que devemos fazer quando alguém vem com uma solução para o mundo?

É necessário ter em atenção que este tipo de individuo mistura disparate com demagogia e isso pode iludir o ouvinte menos perspicaz ou que já tenha bebido um copo a mais. A partir de uma certa quantidade de cerveja as pessoas começam a encontrar soluções para o mundo, infelizmente começam também a ter mais dificuldade em encontrar soluções para o equilíbrio.

Parece que todos os portugueses têm o espirito do Macgyver dentro de si. São os «engenhocas», os desenrasca ali e os desenrasca aqui. Basta lerem as parangonas dos jornais, para serem especialistas em economia, politica, ciência, desporto e capazes de construir uma bomba com 3 palitos e uma pitada de sal. Se os jornais não tivessem parangonas metade da população deixaria de os ler.

Debitam baboseiras que leram em artigos de revista ou livros de auto-ajuda. Sem pensar sequer por 1 segundo no peso das palavras, ou pior, no preço delas. Abusam descaradamente de palavras caras e depressa entram em insolvência de vocabulário. Não lhes sobra quase nada para explicarem o porquê do que acabaram de dizer. Restam-lhes apenas um encolher de ombros e as ultimas palavras que tudo explicam: porque sim.

São peritos em mundividências. Opinion makers doutorados que exasperam por mostrar a toda a gente a sua concepção do mundo. Aproveitam todo o tipo de espaços para o divulgar, desde twiters, blogs e vão do mural do facebook até ao muro de Rio de Moinhos. «Eu sou isto! Eu sou aquilo! Eu gosto disto! Eu odeio aquele! Excita-me o…e fico deprimido com…Sou único e original!» (e passe a redundância destes tipos) «Ninguém é igual a mim!»

É muito fácil uma pessoa pensar que é diferente das outras, que não se identifica com os demais, que não faz parte do grupo. Todas as pessoas podem dizer que são especiais, que são edição limitada, e que são únicas, até porque na verdade o são.

Todas a pessoas são únicas daí que não faça sentido expressões como: «sou de edição limitada» ou «quando me fizeram mandaram os moldes para o lixo e não saiu mais ninguém assim». Na verdade todos nós queremos ser reconhecidos pela nossa diferença, individualidade e personalidade especial e não há nada de errado com isso. Mas por favor parem com essa palhaçada de dizerem que não há mais ninguém igual a vocês! Já sabemos que não há ninguém igual à imensidão de pessoas que diz: não há ninguém igual a mim!

Vocês são todos diferentes, exceptuando um ligeiro pormenor que é seguinte: todos dizem que não há ninguém igual a vocês!! Carago!! E todos querendo ser tão diferentes, não seria irónico, terminarem iguaizinhos?

E digo-vos mais. Eu cá sou igual a mim próprio. E agora vou para ali continuar a ser eu mesmo.

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