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Eram 6 da manhã e o dia nascia lá fora. Ele deitado em cima da cama já estava de olhos abertos desde o início da noite, as insónias tinham-se metido na cama com ele e não mais saíram. Parecia que tinha andado à porrada com elas durante a noite. Um murro no estômago às 2 da manhã, um pontapé nas costas às 4h e uma joelhada na cabeça às 5h. Levantou-se, em cada perna tinha o peso do mundo. Arrastou-se até à casa de banho, lavou a cara com água fria, olhou-se ao espelho, mas não se viu. Comia, sem vontade, bebia, sem vontade, existia, sem vontade. A sua namorada tinha-o deixado na noite anterior. Fugira com um italiano de um 1 metro e 90cm, daqueles que se vêem nos filmes. Saiu de casa a vaguear pelas ruas, sem vontade. Virava à esquerda sem vontade e à direita com vontade nenhuma. Tentou suicidar-se. Atirou-se de uma ponte. Foi um êxito. Mesmo sem vontade.

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