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Os Romanos bem tentaram na antiguidade, a inquisição espanhola esforçou-se do séc. XV ao XIX, mas nenhum deles conseguiu criar uma técnica de tortura tão eficiente e castigadora como os centros comerciais em Portugal conseguiram em pleno sec. XXI.

O mérito não é só dos edifícios em si, há que dizê-lo, são os portugueses que o tornam tão eficiente.

São pessoas mal feitas, com expressões mal dispostas a lamuriarem-se por aquilo que dizem ser maus preços e lhes causa mau estar. Os portugueses gostam de se queixar, passe o pleonasmo, e por isso vão a centros comerciais lamentarem-se daquilo que não podem adquirir.

“Oh tão bonito!… Não tenho dinheiro para isto…”

São bebés, são crianças, são bebés em crianças. São bebés que gritam, são crianças que gritam, são bebés em crianças que gritam, são pais que gritam para os calar, são homens que gritam com as mulheres por as calças serem muito caras, são mulheres que gritam com os homens por a camisa custar mais que a mensalidade do colégio da filha.

Prefiro ter um enfarte do miocárdio e ficar 2 semanas num hospital a beber sopa por uma palhinha do que ir a um centro comercial em pleno domingo à tarde.

Já presenciei matanças do porco onde o animal que estava morrer gritava menos que algumas destas crianças. A feira instalou-se dentro de um edifício, edifício esse que parece o cemitério de ideias dos designers de interiores, uma salganhada de estilos para tentar agradar a toda a gente, infelizmente só não conseguem agradar a quem tem bom gosto, ou algum tipo de sentido estético.

Se calhar ainda bem que assim é e a diversidade de estilos combina com as dos odores. São perfumarias que vaporizam odor para lá do suportável, o suficiente para o seu nome “perfumaria” ser uma contradição em termos. São zonas de comida onde se come um bacalhau com cheiro a hambúrguer e uma sopa com odor a vitela grelhada.

Bem, talvez essa diversidade do design e dos odores esteja estrategicamente planeada para se incorporar com a diversidade sonora. São Bershkas que parecem discotecas nas Docas, são Pull and Bears que parecem bares no bairro alto, são Ericeiras que parecem discos dos Beach Boys.

Ir ao centro comercial ao domingo à tarde é uma experiência sociocultural da depressão.

“Ai que lindo é mesmo perfeito! Também não tenho dinheiro…”

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