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Mas quem é que no seu perfeito juízo poderia afirmar uma coisa destas? Eu digo-vos quem. Ninguém. Ninguém no seu perfeito juízo poderia afirmar tal coisa. Mas como eu não me insiro e jamais me irei inserir na categoria do perfeito juízo, estou à vontade para o dizer. Não é que não possua a capacidade de julgar intelectualmente, na parte do julgamento devo dizer, modéstia à parte, que sou bastante bom. Agora o perfeito é que me faz comichão, se a perfeição não existe, jamais a conseguirei usar num julgamento. Desta forma, prefiro dizer que alguém com juízo, ainda que imperfeito, o afirmou. O que me dá uma margem muito maior para anexins ou sentenças populares. Ah ele disse isso, mas é uma pessoa com o juízo imperfeito coitadinho. Não vale a pena, perder o nosso tempo com este maluquinho, porque nós os perfeitos sabemos que temos razão. Nós sabemos que somos os melhores e jamais erramos, a nossa palavra é sentença e quem não se enquadra no que é normal para os padrões da sociedade deve ser tratado com desprezo que merece.

Agora seria a altura que continuava a escrever algo poético, perdão continuava não era bem o que queria dizer, até porque isso sugere que anteriormente já teria escrito algo assim. Ouvir música francesa se calhar pôs-me assim, algo sentimental devo o dizer, com as letras todas, S-E-N-T-I-M-E-N-T-A-L, apesar de isso me incomodar bastante, não o sentimento em si, mas o facto de o admitir, no sítio onde deviria apenas escarnecer com a acidez, estou neste momento a falar com doçura. O que é uma tristeza, devo dizer, mas depois de ver a Marion Cotillard encantadora como sempre, não estou em mim, o meu coração salta como uma menina a jogar ao elástico, isto não é coisa que um homem com pelos na cara e alguma falta deles na cabeça diga, enfraquece a masculinidade. Será? Não, não creio. Bem acho que já são horas de ir dormir, acabo de sorrir, dou por mim a escrever uma realidade, em vez de realmente a praticar. O que me acontece com mais frequência do que gostaria.

Mas o que é que eu faço aqui a esta hora? São 3h e 50 da madrugada. Não sei, mas provavelmente se fosse outra hora qualquer, perguntar-me-ia o mesmo.

Eu não sei qual é o sentido da vida, nem sequer sei se existe algum, creio que não. Mas uma coisa que eu sei é que o tempo costuma dar sentido às coisas. Como assim, dez anos depois percebes o sentido? Não. Mas o horário a que uma coisa é feita pode dar-lhe ou tirar-lhe sentido. Ir ao supermercado às 4 da manhã comprar azeitonas não tem sentido. Escrever isto seja a que hora for também não. A questão é se nós realmente queremos fazer sentido…

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