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Os relacionamentos têm evoluído de forma assustadora. Se há pouco mais de 50 anos atrás, segundo os meus avós, apenas era permitido namorar à janela ou na presença de um familiar e o sexo antes do casamento era uma heresia. Para além de, nesse tempo uma sardinha ter de dar para 4 pessoas, aquilo era gente que passava fome a todos os níveis. Agora que penso nisso, deixem-me reformular a primeira frase.

Os relacionamentos têm evoluído e ainda bem. Se antes havia de pedir a mão da nossa amada ao seu pai, actualmente essa é a parte do seu corpo que menos nos interessa. Não quero parecer leviano no julgamento, mas a verdade é que em poucos anos deixámos de ter pudor em namorar nos locais públicos para passarmos a não ter vergonha em publicar “sentimentos”. Já não se trata de falta de pejo em fazer coisas menos próprias em lugares públicos, agora ainda invadem e penetram o espaço cibernético para divulgar, partilhar e pior exibir os seus “relacionamentos”.

Os relacionamentos têm evoluído e isso preocupa-me. Já não há pessoas românticas, as serenatas de outrora foram substituídas pela publicação no facebook do namorado. E é com tristeza que o digo, mas uma pessoa que publica o amor no facebook, só pode ter um sentimento tão superficial como a própria publicação. Publicar no mural do namorado é como fazer xixi numa árvore, para garantir aos outros cães vadios que aquele é o seu território. Claro que muitos de vós, como aficionados leitores de Fernando Pessoa dirão, como dizia o poeta “Todas as cartas de amor são ridículas”, por isso se não gostas não olhes. Certo, meus lindos, mas o que passa no facebook não é enviar uma carta de amor para a pessoa amada. É enviar uma carta ridícula para a pessoa amada e para todos os amigos e conhecidos. E lá está ridículo.

Os relacionamentos têm evoluído e isso vê-se, mesmo que não se queira. Todos nós queremos vender alguma coisa e actualmente o facebook é a maior montra de pessoas e almas desassossegadas que existe. Neste espaço as casas têm paredes de vidro e podemos ver os bens e os relacionamentos de cada pessoa sem ter de espreitar pelo buraco da fechadura. Ter facebook é como ter uma vida num museu, as pessoas entram, vêem, comentam e vão-se embora. No final a maioria não percebe se viu a arte de viver ou uma vida sem arte.

Os relacionamentos têm evoluído e a lavagem de roupa em praça pública também. Entristece-me o facto de não existirem telefones, telemóveis, Messenger, Skype, SMS ou até mesmo mensagens privadas no facebook, que impossibilitam os namoradinhos de falarem em privado e têm de se submeter, coitados, a que toda a gente fique a saber, mesmo que não queira, de conversas que só a eles lhes dizem respeito. São os novos exibicionistas, mas sempre com propaganda enganadora. O facebook é uma revista cor-de-rosa restrita ao grupo de amigos. Ficamos sempre a saber dos namoros, das confusões, das festas e até temos de levar com os paparazzi, que colocam “tags”. Só falta mesmo o Mark Zuckerberg me pagar também para ir de férias para a neve.

Os relacionamentos têm evoluído e se o facebook fosse uma mulher seria a Elsa Raposo. Quer dizer, já viram a quantidade de homens que lá entra todos os dias.

Os relacionamentos têm evoluído e eu estou solteiro. Foda-se.

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One thought on “Relacionamentos no Facebook web 2.0

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