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Toda a gente gosta de viajar. Toda a gente gosta de viajar e pagar pouco dinheiro nas viagens. E se criarmos um sistema de viagens low cost para atrair pessoas e assim que elas estiverem dentro do avião, no ar, encurraladas, sem ter para onde ir, impingíamos-lhes todo o tipo de artigos como se fosse uma feira de produtos high cost de onde os consumidores não poderiam escapar. Poderá ter sido este o pensamento dos responsáveis da Ryanair, reduzir os preços das viagens e aumentar os preços e a quantidade dos artigos que são vendidos no avião.

Uma boa ideia dirá qualquer pessoa que nunca tenha tido a oportunidade de andar nesta companhia, visto que ninguém é obrigado a comprar nada. Uma ideia capaz de dar cabo da cabeça até à alma mais santa, dirá qualquer pessoa que já passou por esse suplício. Muito por culpa dos abusivos anúncios e “estratégias” de marketing que tentam impingir tudo e mais alguma coisa.

Mas comecemos pelo inicio, porque até a Ryanair tem um inicio e antes de nos vender hambúrgueres também ela nos explica as famosas normas de segurança.

Antes de entrar no avião temos a oportunidade de apreciar esta bonita escultura decorativa da Ryanair, enganam-se as pessoas que pensam que esta peça tem um carácter funcional, como regular o tamanho das malas, porque assim que entra-mos no avião é-nos pedido para colocar as malas debaixo do banco da frente, por falta de espaço nas prateleiras de cima. Então mas e no porão não se pode meter as malas? Não, na Ryanair o porão é para uso exclusivo de transporte de chineses ilegais. Ainda assim a viagem segue alegremente visto que o avião é por norma um meio de transporte com bastante espaço, não há problema nenhum em ir o resto da viagem com os joelhos soldados ao banco da frente.

As malas que não cabem em cima vão junto dos nossos pés, mais ou menos como a organização de uma barraca de feira, distribui-se os artigos onde calhar.

A informação de segurança é um brilharete, das melhores tiras de banda desenhada que vi nos últimos tempos.

Imaginemos que o avião acabou de se despenhar, por sorte ainda sobreviveram 50 pessoas e 2 hospedeiras apenas com alguns ferimentos, está toda a gente aflita em estado de choque, alguns a benzerem-se e a fazerem o sinal da cruz já sem polegar, preparam-se para sair dos destroços do avião, mas ainda têm de tirar as dentaduras e os óculos, faz todo o sentido para não verem a saída, nem terem a tentação de se agarrarem ao entrecosto que por ali anda onde antes estavam passageiros. Além disso é também bom para a saúde tirarem os brincos, colares e sapatos de salto alto, é impressão minha ou esta proibição é um pouco sexista, nenhuma mulher consciente iria deixar as suas jóias e os seus sapatos chanel assim sem mais nem menos. Se houver alguma mulher que deixe estas suas preciosidades para traz é porque já não deve estar bem da cabeça. É melhor mandar abater.

Vamos lá ver se entende-mos, é proibido fumar dentro do avião, mas estas alminhas da Ryanair ainda insistem em dizer especificamente que também é proibido fumar nas saídas de emergência. Mas será que há alguma pessoa que depois de ter quase perdido a vida numa aterragem de emergência pensa em fumar antes de sair do avião o mais rapidamente possível? Primeiro, no mínimo, deve querer meter os pés no chão para ver está mesmo vivo. Eu pelo menos não consigo imaginar nenhuma pessoa que esteja num prédio a arder e que aproveite as chamas para acender um cigarro, mas pelos vistos os senhores da Ryanair acham que é um comportamento bastante comum, é melhor meter um sinal há avisar que não se pode fumar ali.

Mas alguém vai a correr para a saída de emergência e se lembra de sacar um cigarrito antes?

Só se estiverem a pensar que os passageiros iram fumar um dos famosos cigarros que tanto tentam impingir nos seus voos, dizendo que são cigarros que se podem fumar nos sítios onde é proibido fumar, antes de mais devo dizer que nunca vi ninguém a persuadir tão bem pessoas a fumar, a sedução para a fumareca é enorme naqueles voos, eu próprio comecei a fumar num voo da Rayanair, tinha 7 anos, mesmo com os meus pais ao lado, que não se importaram por também eles estarem entretidos com estes fantásticos cigarros, desde então nunca mais consegui parar, já vou nos 2 maços por dia e um cancro por mês.

Não me lembro de andar no escorrega com os braços assim quando era miúdo, se calhar foi por isso que nunca parti um braço.

Para a feira estar completa tem de haver comes-e-bebes e lá estão eles. A única coisa que faz sentido ter no avião são as bebidas alcoólicas, é a única maneira de aturar aqueles feirantes vestidos de hospedeiras. Não sei como ainda não se lembraram de vender em pleno voo a roupa em 2ª mão das bagagens perdidas no aeroporto.

Vendem perfumes e dizem ser mais baratos por serem livres de impostos, mas depois uma garrafa de água 33cl custa 3€. Que tipo de imposto foi este? Quase que beber um perfume da Dior fica mais barato.

Mas porque raio é que se vendem perfumes no avião? São capazes de ter dezenas de perfumes de diferentes marcas para venda, mas se o avião cair não há pára-quedas para todos. Só vejo uma utilidade nos perfumes, dá jeito para me borrifar todo de perfume quando me cagar de medo se o avião estiver a cair.

(Despenhou-se hoje no Porto um avião da Raynair, morreram todos os tripulantes e nunca cheirou tão bem na cidade Invicta.)

Perfumes no avião, ideias de merda têm de ser disfarçadas com perfume de COCO (Chanel) para não cheirar mal.

Estatisticamente o avião é um meio de transporte mais seguro que um automóvel, deve ser por causa das hospedeiras sempre a avisar para meter o cinto de segurança. Devia haver uma em cada automóvel, eu era gajo para pôr o cinto, se tivesse alguém para me ensinar como se faz. No automóvel ninguém nos ensina a por o cinto, mas sempre que paro na Nacional 109 há moças que se oferecem para o tirar, o das calças.

Um gajo no avião tem de lidar com o espaço apertado, as malas junto aos pés, as crianças a berrar, a turbulência do avião, a pressão nos ouvidos, andaram para trás e para a frente a vender comida e perfumes, o medo de voar, o cinto de segurança, a oferta de tabaco, a impossibilidade de abrir a janela para fumar um cigarro decente e no meio disso tudo tenta fechar os olhos para descansar e abstrair-se de toda aquela situação. E Pumba! Vêem aos berros a falar no microfone a dizer que têm raspadinhas para vender. É coisa para um gajo dizer:

– Opá porque é que não vão enfiar a puta das raspadinhas nu cu! (piada intelectual) Estou a tentar dormir caralho!

Ainda por cima o avião é o pior sitio para saber se estamos milionários ou não.

-Yes, yes , yes, yeaaaah! Ganha-mos 100 mil euros!

-Daqui fala o comandante, o avião vai despenhar-se.

– O quê? Mas agora o que é que eu faço com a raspadinha?

-Ponha-a no cu. Repito. Ponha-a no cu. (responde o Comandante)

E eu ponha, mas isso não me ia amparar a queda.


P.S: Tanto dinheiro investido no avião para ter um sistema de comunicação interna digna de uns alquitoques da GNR.

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